segunda-feira, abril 20, 2009

A onda mais temida do Circuito Mundial


Teahupoo, Chopos, "praia dos crânios quebrados"...

Até o final dos anos 90, ninguém discordava que a etapa que impunha mais respeito aos competidores do tour acontecia no Hawaii: Waimea Bay, Pipeline e Sunset Beach (provavelmente nessa ordem) dominavam sonhos e pesadelos dos integrantes da elite do surfe mundial.
Teahupoo, no Tahiti, estreou no WCT em 1999, após dois anos recebendo o WQS. O patrocínio era da Gotcha (a Billabong entraria em 2001). Derek Hynd registrou na época de forma dramática (em texto selecionado por Sam George para o livro The Perfect Day, 40 years of Surfer Magazine) o impacto da nova parada obrigatória para os pros:
"Nunca na história do surfe os vencedores foram tão penalizados. Os 16 vencedores do round 1 avançam direto ao round 3 e, portanto, perdem de correr o campo de sonhos extremos do round 2. Os perdedores de ontem são os sortudos de hoje - se conseguirem lidar com o estresse de outro dia de desespero em ondas pesadíssimas. (...) Mick Lowe, que enfrentaria pela segunda vez Andy Irons no dia seguinte, com previsão de ondas grandes, secamente comentava com Campbell e Occy: 'Vai ser uma bateria de vida ou morte. (...) Um de nós vai morrer'. Occy então lembrou de telefonar para sua esposa, Bea. 'Eu liguei para ela ontem. Vou ligar de novo com a mesma preocupação: quero que ela saiba que eu a amo e que há possibilidade de que alguém morra'."
Naquela primeira edição, após dois dias com ondas de 8 a 10 pés e alguns feridos, o mar baixou para as finais e Occhilupo conquistou a primeira das três etapas que selaram seu título mundial.
Desde então, o Tahiti não saiu mais do circuito - a próxima será a 11ª edição - e em duas ocasiões Teahupoo repetiu a força da estréia.
Em 2000, mais terror. Além do traumático quase afogamento de Neco Padaratz, a repescagem foi para a água com séries de até 12 pés - Andy Irons acabou hospitalizado para tratar de infecções nos cortes.
Dois anos depois, a etapa no Tahiti teve o maior mar de sua história, ondas de 10 a 12 pés com séries maiores, acidentes com os barcos de apoio e jet skis, lycras arrancadas, 50 pranchas perdidas, suturas.
Teahupoo evoca comparações evidentes com Pipeline - GLand e Tavarua também vem à mente: esquerdas pesadas em que única alternativa é o tubo. Lugares onde as condições geralmente extremas forjam reputações em segundos. Como no caso de Cory Lopez em 1999, quando pegou duas ondas "das mais pesadas da história da ASP", segundo Derek Hynd, que lhe deram notoriedade imediata (a vitória viria dois anos depois).
O surfe brasileiro também celebrou feitos no Tahiti: o primeiro dez perfeito de Fábio Gouveia no tour; a vitória de Peterson Rosa sobre Slater e Fanning; as semifinais de Teco Padaratz e Danilo Costa; as notas dez de Paulo Moura e Neco Padaratz (dando a volta por cima); entre outros destaques, como Guilherme Herdy, Victor Ribas e, enfim, Bruno Santos.
As edições recentes da etapa tiveram ondulações (olha o trocadilho infame) amenas: o evento principal não vê condições ideais - ondas de 6 a 8 pés - desde 2004.
Mas no ano passado Teahupoo quebrou clássico durante a triagem, com tubos de 10 pés. O desfecho ainda está fresco na memória: as notas dez, a vaga e o ferimento de Bruno Santos, os adiamentos, a prancha emprestada e a conquista inédita.

A terceira etapa do WCT 2009 acontece em maio em Teahupoo e o Brasil deve ter quatro representantes, já que Bruno Santos receberá vaga de wildcard para defender o título. O blog já publicou um retrospecto nacional em Teahupoo e a lista de campeões do evento.

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